Resenha Crítica: Educação Escolar como Processo de Desenvolvimento da Criança com TDAH
BATISTA, Nathalia, ROSA, Paulo. Educação Escolar como Processo de Desenvolvimento da Criança com TDAH. Itabuna, 2011.
Nathalia Batista é graduanda em Psicologia, pela Faculdade de Tecnologia e Ciências em Itabuna, desde 2010. Paulo Rosa é Professor Mestre da Faculdade de Tecnologia e Ciências em Itabuna e leciona a disciplina Trabalho Interdisciplinar Dirigido II (TID II).
Os autores, utilizando-se da técnica de revisão bibliográfica, abordam a Educação Escolar como Processo de Desenvolvimento da Criança com TDAH.
O artigo é constituído em três partes: introdução, desenvolvimento e considerações finais. Na introdução os autores justificam a elaboração do artigo por entender que a escola é a primeira instância onde se identifica a presença dos primeiros sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade - TDAH. Destaca, também, as dificuldades de ajustamento dessas crianças ao processo de aprendizagem, bem como a importância do professor na detecção precoce do transtorno e intervenção na busca do desenvolvimento saudável da criança acometida.
Na parte do desenvolvimento, Batista e Rosa, fundamentados em Barkley e Coutinho, conceituam o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) como um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida que afeta de 3% a 5% de todas as crianças em idade escolar. Classificam em 4 sub-tipos: Tipo desatento, Tipo hiperativo, Tipo combinado e Tipo não-específico.
Esclarece que no Tipo desatento, a criança apresenta características como: distrai-se com facilidade, parece não ouvir, esquece atividades diárias, faz erros por descuido e não prestar atenção nos detalhes, desorganizado. No Tipo hiperativo, a criança passa a apresentar as seguintes características: Inquieta, não consegue parar sentado, sobe sempre nas coisas, fala sem parar, intromete-se e interrompe atividades alheias, não consegue esperar sua vez. No Tipo combinado, por sua vez, a criança apresenta um conjunto dos dois subtipos: desatenção e hiperatividade. E no Tipo não- específico, apresenta algumas características de ambos, mas não o suficiente para chegar-se num diagnóstico preciso, mas o suficiente para desequilibrar sua vida diária.
Batista e Rosa apresentam estudos científicos que mostram como os portadores de TDAH têm alterações na região frontal que é responsável pela inibição do comportamento (isto é, controlar ou inibir comportamentos inadequados), pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento. O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios).
Apoiados em Silva e Souza, Batista e Rosa defendem o importante papel da escola como muito importante para o desenvolvimento global do aluno com TDAH. Pensando- se ainda na escolaridade, os autores ressaltam a importância da escola especial para crianças com TDAH, vez que o TDAH é com freqüência apresentado, erroneamente, como um tipo específico de problema de aprendizagem. Porém crianças com TDAH não são incapazes de aprender, mas têm dificuldade na escola por causa da falta de organização, de atenção e da impulsividade. Estas crianças, que possuem TDAH, por não terem limite e noção do momento certo para parar, muitas vezes sofrem por perceber esta discriminação e na ânsia de tentar remediar seus atos e conquistar a todos, acabam fazendo palhaçadas, falando impulsivamente, passando- se novamente por incômodas e inconvenientes. Portanto, para que estas crianças possam “se encontrar” e, por conseguinte buscar uma correta solução deste transtorno deve-se buscar um diagnóstico preciso.
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Os autores insistem na necessidade do diagnóstico preciso que deve ser feito de forma criteriosa e cuidadosa por profissional especializado, com informações colhidas junto aos pais e professores e também através da observação clínica da criança. A avaliação eficaz para o diagnóstico TDAH deve passar obrigatoriamente por uma Equipe Interdisciplinar abrangendo as seguintes áreas Psicopedagogia (Pedagogia), Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, embasadas em avaliações neurológicas / psiquiátricas. Uma abordagem que envolva todas as áreas inclui: Treinamento dos pais em controle do comportamento, um programa pedagógico adequado, aconselhamento individual e para a família, quando necessário, medicamento, quando necessário. Os medicamentos mais utilizados no controle dos sintomas relacionados com o TDAH são os psicoestimulantes como a Ritalina. Esses medicamentos ajudam a diminuir a impulsividade e a hiperatividade, a aumentar a atenção e em algumas crianças reduzir agressividade.
Batista e Rosa destacam a árdua função dos pais de preparar seus filhos para a vida, sejam eles portadores de distúrbios ou não. Em sua maioria, os pais vêem seus filhos, como grandes figuras, dotadas de ótimos comportamentos, que, por conseguinte, farão com que eles integrem-se de forma agradável e espontânea seja na sociedade, no ambiente escolar, nos cursos em horário oposto, nos aniversários etc. Alertam os autores que quando isso não acontece, sensações tristes e confusas surgem na cabeça dos pais. Para eles o simples fato de ter de aceitar que seus filhos possam a vir a ter algum distúrbio de comportamento, já se torna doloroso. Muitos acabam negando os fatos que lhe são apresentados, dando as costas e tentando não enxergar que algo não está certo! Tentam apresentar justificativas para tais comportamentos buscando sempre encontrar um motivo para o fato de seu filho ter tido tal reação como sendo um fato normal e que todas as crianças sempre agem dessa maneira.
Batista e Rosa, fundamentados em Piaget asseguram que pais e filhos caminhando juntos na busca segura de uma solução, as chances de sucesso serão muito maiores. Em casa, caberá aos pais disciplina e muito amor. Sempre cuidando para não criar diferença entre os filhos portadores de TDAH e os não portadores. Seguidamente deverá haver o acompanhamento psicológico para que este aprenda a controlar seus déficits canalizando suas energias de forma positiva sempre objetivando superar suas dificuldades e anseios.
Segundo os autores ao professor cabe lidar com crianças desatentas ou hiperativas, o que implica grande desafio. Primeiramente o professor deve buscar conhecer e entender o TDAH, depois procurar descobrir como a criança aprende melhor. Utilizar-se do lúdico, demonstrar limites, repetição e estrutura adequada para o potencial de sua aprendizagem. Procurar sempre manter a criança o mais próximo, fazer contato visual, podendo assim evitar o sono ou tranqüilizar a criança. Permitir que a criança tenha válvulas de escape, ensinar técnicas que ajudem a melhorar a memória, usar rimas, jogos de palavras, siglas etc. O professor, num olhar mais atento conseguira perceber a defasagem e poderá, então, intervir para que o encaminhamento necessário seja feito e o problema seja solucionado. Portanto, se houver problemas nesse organismo, o processo de construção do conhecimento sofrerá alterações, normalmente refletidas no processo de ensino-aprendizagem.
Batista e Rosa nas considerações finais, terceira e última parte do trabalho, destacam três aspectos resultantes de suas pesquisas: a gravidade do transtorno no processo de aprendizagem das crianças, a importância dos professores no diagnóstico e terapêutica do transtorno, bem como a necessária participação dos pais e profissionais de saúde (psicólogo, neurologista e psiquiatra) na equalização do problema. Advertem o despreparo para a inclusão dos alunos portadores de TDAH, na escola de ensino normal, sugerindo a sua preparação.
A partir dos conceitos e fundamentação de Benczik e Rohde, pôde-se verificar que Batista e Rosa, de forma simples e objetiva, apresentaram as principais definições do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH e suas repercussões na vida escolar da criança acometida. Evidenciaram a importância do professor e da escola no seu acolhimento e encaminhamento para terapêutica que é reconhecida como eficaz no normal desenvolvimento da criança portadora do transtorno em questão.
Jéssica Alves Bispo, Manoel Esmeraldo Brito e Nathalia Silva Batista
Acadêmicos do Curso de Psicologia. FTC- Itabuna
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